A saúde mental da sua equipe é um problema de gestão — não de RH

Quando alguém da sua equipe começa a faltar mais, entregar menos e se isolar dos colegas, qual é a primeira explicação que vem à sua cabeça? Desengajamento, falta de comprometimento, problema de atitude. Raramente o gestor pensa: essa pessoa pode estar com a saúde mental comprometida.

Essa lacuna de percepção está custando caro para as empresas brasileiras. Em 2024, o Brasil registrou um recorde de 472.328 afastamentos por transtornos mentais FlashApp — um aumento de 68% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Previdência Social. Ansiedade, depressão e burnout lideram os diagnósticos. E a faixa etária mais afetada, com média de 41 anos, é exatamente a dos profissionais em plena fase produtiva — gerentes, coordenadores, líderes de equipe.

Isso não é uma estatística abstrata. É o colaborador que estava rendendo bem e de repente parou. É o líder que começou a falhar em reuniões. É a equipe que perdeu energia sem que ninguém consiga explicar exatamente por quê.

O problema é que a maioria das empresas ainda trata saúde mental como um tema de bem-estar individual, quando na verdade é uma questão de gestão. O ambiente de trabalho — a forma como se lidera, a carga que se distribui, a cultura que se constrói — é um dos principais fatores que protegem ou adoecem as pessoas. Em 80% dos casos, o próprio trabalho é citado como a principal fonte de estresse pelos colaboradores. Saudebusiness Ou seja, o problema não chega de fora: ele nasce dentro da empresa.

Pense em um gestor que lidera pelo medo — cobranças agressivas, ausência de feedback positivo, ambiente de pressão constante. A equipe pode até entregar resultados no curto prazo, mas vai pagando um preço silencioso. Em algum momento, esse preço se torna visível: queda de produtividade, conflitos internos, pedidos de demissão, afastamentos. O custo de ignorar a saúde mental da equipe é muito maior do que o custo de cuidar dela. Para cada R$ 1 investido em programas de saúde emocional estruturados, as empresas podem obter um retorno de até R$ 4 em ganho de produtividade e redução de custos. FlashApp

O papel do gestor aqui não é fazer terapia com ninguém. É criar condições para que as pessoas possam trabalhar bem. Isso passa por algumas práticas concretas: distribuir demandas de forma equilibrada, reconhecer esforço além de resultado, ter conversas reais com a equipe — não só sobre metas, mas sobre como as pessoas estão. A liderança puramente técnica já não é suficiente. O líder do presente precisa ser sensível, empático e consciente do impacto que tem na saúde mental de sua equipe TST, como alerta a diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos.

E vale saber: isso agora também é obrigação legal. A atualização da NR-1, que entrou em vigor em 2025, exige que as empresas incluam a avaliação de riscos psicossociais — como estresse, sobrecarga e assédio — no processo de gestão de segurança e saúde no trabalho. GOV.BR

Equipes saudáveis não são um luxo. São a base de qualquer operação que queira crescer de forma sustentável. E construir esse ambiente começa muito antes do onboarding — começa na decisão de quem você contrata, em que cultura você quer construir e que tipo de liderança você quer exercer.

A MX Talentos apoia empresas na construção de equipes mais alinhadas, engajadas e saudáveis — do recrutamento à consultoria estratégica em gestão de pessoas.

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